Apoio de Milei a Flávio Bolsonaro movimenta cenário político rumo a 2026
- Herbert Santos de Sousa
- 7 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O Presidente da Argentina, Javier Milei, ao manifestar apoio ao senador Flávio Bolsonaro, reacendeu o debate sobre a articulação política entre lideranças da direita na América do Sul. A declaração, feita por meio das redes sociais, surge em um momento de reorganização das forças conservadoras no Brasil, que se preparam para a disputa presidencial de 2026.
Desde antes de assumir o governo argentino, Milei já mantinha forte afinidade ideológica com o núcleo bolsonarista. Sua relação com Jair Bolsonaro e seus filhos se consolidou ao longo dos últimos anos, marcada por agendas semelhantes em temas como redução do Estado, críticas ao “politicamente correto” e oposição frontal a governos de esquerda na região. O apoio recente a Flávio, nesse contexto, vai além da simpatia pessoal: sinaliza uma coordenação política que ultrapassa fronteiras nacionais.
Para Flávio Bolsonaro, o respaldo de Milei funciona como um ativo simbólico de peso dentro do campo conservador. O presidente argentino, hoje uma das figuras mais visíveis da direita internacional, agrega ao senador brasileiro a narrativa de alinhamento com lideranças que defendem reformas liberais e posições antiestatistas. Essa proximidade tende a fortalecer sua projeção entre eleitores alinhados a essas pautas.
O envolvimento direto de um chefe de Estado estrangeiro, porém, também gera controvérsias. Analistas avaliam que a manifestação pode ser interpretada como ingerência indevida no processo eleitoral brasileiro, ainda que feita em ambiente digital e sem caráter institucional. A presença de Milei no debate político nacional, mesmo à distância, adiciona tensão a um cenário já polarizado, e o episódio ganhou ainda mais relevo porque a indicação foi seguida de críticas tanto de políticos da direita quanto de setores do mercado financeiro, que reagiram com preocupação ao gesto.
O episódio evidencia que a aproximação entre Milei e o bolsonarismo não é circunstancial, mas estratégica. Com objetivos distintos — manter governabilidade na Argentina e recuperar protagonismo no Brasil —, ambos se beneficiam de um apoio mútuo que projeta seus discursos para além das fronteiras. Resta saber se esse intercâmbio de influência terá impacto real na consolidação de alianças e no comportamento do eleitorado até 2026.



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