Comercial da Havaianas com Fernanda Torres vira alvo da Direita
- Herbert Santos de Sousa
- 22 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A tradicional campanha de fim de ano das Havaianas, que costuma focar na leveza e no espírito brasileiro, encontrou um terreno inesperadamente árido em 2025. Estrelando a atriz Fernanda Torres — que vive um momento de consagração internacional com o filme Ainda Estou Aqui —, a peça publicitária tornou-se o mais novo alvo de boicote por parte de grupos bolsonaristas e influenciadores de direita.
O Pivô da Polêmica: "Não comece com o pé direito" O desconforto surgiu logo nos primeiros segundos do comercial. Nele, Fernanda Torres diz: "Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito". A atriz emenda explicando que a sorte é aleatória e que o ideal seria entrar no ano novo "com os dois pés" — na estrada, na porta ou "na jaca".
Embora o roteiro utilize um jogo de palavras comum ao marketing para sugerir intensidade e entrega ("com os dois pés"), setores da direita interpretaram a fala como uma mensagem política subliminar. O termo "pé direito" foi lido como uma alusão ideológica à direita política, especialmente considerando que 2026 é um ano de eleições presidenciais.
Reações e Chamados ao Boicote Nas redes sociais, políticos como o deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) e o vereador Gilson Machado Filho (PL-PE) reagiram duramente. Valadares classificou a peça como "campanha política explícita" e sugeriu que os consumidores migrassem para marcas concorrentes como Ipanema e Rider. No Instagram, a pressão foi tamanha que a Havaianas chegou a restringir os comentários em algumas publicações para conter a onda de críticas e ofensas.
Contexto Ideológico A reação também é alimentada pelo perfil da protagonista. Fernanda Torres é vista por setores bolsonaristas como uma figura ligada à esquerda, e o sucesso de seu filme recente — que retrata a ditadura militar — já havia gerado ruídos em bolhas conservadoras. Críticos da campanha também apontaram que a Alpargatas (dona da marca) pertence a grupos ligados à família Moreira Salles, frequentemente alvo de teorias sobre financiamento de pautas progressistas.


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