Convocação de greve dos caminhoneiros expõe atuação de redes politizadas e divide categoria
- Herbert Santos de Sousa
- 3 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

A paralisação dos caminhoneiros anunciada para 4 de dezembro ganhou grande repercussão nacional, mas não partiu das principais entidades representativas da categoria. Pelo contrário: sindicatos e federações têm negado oficialmente qualquer participação no movimento — e alertado para o uso político da pauta.
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL),
a convocação não tem legitimidade e está sendo feita por grupos que tentam usar o nome dos caminhoneiros para objetivos políticos, sem ligação com as demandas reais da categoria. A entidade afirma repudiar o uso indevido de seu nome e reforça que não convocou nem apoia a paralisação.
Além disso, lideranças tradicionais do setor também negam envolvimento e afirmam não reconhecer quem está convocando a greve. Muitas destacam que os chamados à paralisação circulam quase exclusivamente em redes sociais, sem organização formal e sem diálogo estruturado com a categoria.
Esse vácuo organizacional abriu espaço para que grupos politizados ocupassem o debate. Vídeos e declarações de caminhoneiros publicados recentemente rejeitam o movimento e o classificam explicitamente como uma convocação de cunho bolsonarista, dizendo que a pauta estaria sendo sequestrada por grupos externos à categoria que tentam transformar uma suposta “greve” em ato político.
A divisão é tão evidente que parte dos motoristas vem a público para desmentir o caráter representativo da mobilização, chamando a iniciativa de “fake news” e criticando tentativas de instrumentalização política.
Fragmentação e risco de manipulação
Com as principais organizações fora do movimento e sem coordenação nacional legítima, especialistas apontam que a paralisação anunciada tem características típicas de mobilizações impulsionadas por redes informais e politizadas, em vez de reivindicações estruturadas da categoria. A falta de unidade, somada a convocações feitas apenas por grupos digitais, reforça a percepção de que o movimento tem mais caráter político do que sindical.


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