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Mais de 34% da população da Região Metropolitana do Rio vive sob domínio de grupos armados, aponta estudo


Um estudo recente sobre a dinâmica do crime organizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro trouxe à tona um cenário preocupante: mais de 34% dos moradores vivem sob algum tipo de domínio ou influência de grupos armados, entre facções criminosas e milícias.


O percentual representa mais de um terço da população que habita os 22 municípios avaliados, revelando a profundidade com que organizações ilegais se entranham no território fluminense.


De acordo com o levantamento, o controle não ocorre de forma isolada. Em áreas onde a presença desses grupos é direta, cerca de 3,4 milhões de pessoas têm seu cotidiano condicionado a normas impostas por facções ou milícias. Já outras 600 mil pessoas convivem com influência intermitente, sem controle contínuo, mas ainda sujeitas à atuação desses grupos. No total, mais de 400 quilômetros quadrados estão submetidos a algum grau de domínio armado — quase um quinto da área urbanizada da metrópole.


O avanço desse controle territorial vem de uma trajetória de expansão contínua. Entre 2007 e 2024, as áreas dominadas cresceram mais de 130%, enquanto a população submetida a esse poder paralelo aumentou quase 60%. A expansão não é uniforme: enquanto milícias perderam parte do território que controlavam, facções como o Comando Vermelho ampliaram sua atuação e consolidaram posições estratégicas em diversas regiões.


O estudo destaca também a forte relação entre essas áreas e marcadores sociais de vulnerabilidade. Regiões dominadas concentram famílias de baixa renda, serviços públicos precários e uma população majoritariamente negra — elementos que evidenciam como desigualdade estrutural e violência urbana se entrelaçam. Para os pesquisadores, essas dinâmicas ajudam a explicar por que o domínio armado se enraíza e se perpetua ao longo dos anos.


Essa realidade se traduz em impactos diretos na vida dos moradores. Em muitas localidades, regras impostas por grupos armados determinam horários, circulação, funcionamento de comércios e até serviços que deveriam ser públicos. A presença do Estado, quando existe, é limitada, o que deixa comunidades inteiras à mercê de decisões tomadas por agentes do crime organizado.


Especialistas alertam que, embora algumas áreas tenham visto mudanças de comando entre facções e milícias, isso nem sempre representa melhora. Em muitos casos, a saída de um grupo apenas abre espaço para disputas territoriais ou para a chegada de outro, mantendo a lógica de controle e insegurança que marca o cotidiano de milhões de pessoas.


O estudo reforça que enfrentar essa estrutura de dominação exige mais do que operações policiais. Requer políticas públicas contínuas, urbanização qualificada, acesso a direitos básicos, presença efetiva do Estado e ações sociais que dialoguem com as raízes do problema. Só assim será possível alterar, de forma duradoura, o cenário de controle territorial armado que hoje afeta mais de um terço da população da Região Metropolitana do Rio.




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